Eid al-Adha: O Festival Islâmico de Sacrifício e Partilha
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Em 27 de maio de 2026, estima-se que 2 bilhões de muçulmanos acordarão antes do amanhecer, vestirão suas melhores roupas e se reunirão para as orações matinais — depois dividirão a carne recém-sacrificada em três partes iguais: uma para a família, uma para os amigos e uma para os pobres.
Resumo
| Data (2026) | 27 de maio (10º de Dhul Hijjah, 1447 AH) |
| Onde é celebrado | Comunidades muçulmanas ao redor do mundo; feriado público na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Paquistão, Egito, Turquia, Nigéria e mais de 30 outros países |
| Tipo | Religioso |
| Origem | Comemora a disposição do Profeta Ibrahim em sacrificar seu filho em obediência a Deus, que substituiu o filho por um carneiro |
| Também conhecido como | Kurban Bayramı (Turco), Eid-el-Kabir (Nigéria), Tabaski (África Ocidental), Hari Raya Haji (Malásia/Singapura) |
Origens & História
A história começa com um sonho — e uma ordem que nenhum pai gostaria de ouvir.
O Profeta Ibrahim, já em idade avançada, havia rezado por um filho justo. Quando esse filho, Ismail, finalmente chegou e cresceu o suficiente para caminhar ao lado do pai, Ibrahim começou a ter um sonho recorrente: ele estava sacrificando Ismail com suas próprias mãos. Na tradição islâmica, os sonhos dos profetas não são aleatórios — são uma forma de comunicação divina.
Então Ibrahim contou ao filho. O que Ismail disse em seguida transformou essa história de medo em uma história de confiança:
“Pai, faça o que lhe foi ordenado. Se Allah quiser, você me encontrará paciente.” (Alcorão 37:102)
Os dois partiram. Durante a jornada, Shaytan (Satanás) apareceu três vezes, tentando convencer Ibrahim a desobedecer. Cada vez, Ibrahim respondeu atirando pedras nele — um ato ainda reencenado por milhões de peregrinos durante o Hajj, nos pilares de Mina.
Ibrahim deitou seu filho, com a lâmina na mão. Segundo algumas tradições, ele se vendou para não ver o rosto de Ismail. Então, no momento final, o Anjo Jibril (Gabriel) apareceu com um carneiro preso pelos chifres. Uma voz chamou:
“Ó Abraão, você cumpriu a visão.” (Alcorão 37:104–105)
O sacrifício nunca foi sobre a vida do filho. Era um teste para saber se Ibrahim entregaria aquilo que mais amava. Uma vez que essa entrega foi comprovada, o teste terminou. Como o Alcorão afirma posteriormente: “Não é a carne nem o sangue deles que chega a Allah, mas sim a sua piedade” (22:37).
Na Torá judaica e na Bíblia cristã (Gênesis 22), o filho a ser sacrificado é Isaac, não Ismael. Essa é uma das principais diferenças narrativas entre as três religiões abraâmicas, embora todas compartilhem o tema central da obediência e da misericórdia divina.
Como as pessoas celebram
O Eid al-Adha se desenrola ao longo de três a quatro dias. Começa cedo e começa com barulho.
Antes do nascer do sol, o som do takbir preenche as ruas — Allahu Akbar, Allahu Akbar, La ilaha illa Allah — entoado nas mesquitas, rádios de carros e grupos caminhando juntos. Homens, mulheres e crianças vestem suas melhores roupas, muitas vezes compradas novas para a ocasião. A oração da manhã do Eid (Salat al-Eid) reúne multidões enormes: em Jacarta, filas de fiéis vestidos de branco ocupam praças inteiras; no Cairo, tapetes se espalham das mesquitas para as ruas laterais.

Em seguida vem o ponto central: o Qurbani — o sacrifício ritual de uma ovelha, cabra, vaca ou camelo. O animal deve ser saudável, sem defeitos e ter uma idade mínima. O abate é feito com um único corte preciso enquanto se recita Bismillah (“Em nome de Deus”). O ato não é sobre sangue — é sobre desapego. Para cada família que pode pagar, o sacrifício significa: Estou disposto a abrir mão do que possuo, assim como Ibrahim esteve disposto a abrir mão de seu filho.
O destino da carne é o que faz do Eid al-Adha uma celebração diferente de qualquer outro banquete:
| Parte | Destinatário |
|---|---|
| Um terço | A família que realizou o sacrifício |
| Um terço | Parentes, amigos e vizinhos |
| Um terço | Os pobres e necessitados |
Em países ricos, organizações de caridade enviam carne de Qurbani congelada para comunidades necessitadas além das fronteiras — desde campos de refugiados na Jordânia até regiões afetadas pela seca na Somália. A regra é simples: ninguém deve passar fome no Eid.
O restante do dia gira em torno da comida. Junto com o Eid al-Fitr — que marca o fim do jejum do Ramadã — o Eid al-Adha é um dos dois dias mais sagrados do Islã. Enquanto o Eid al-Fitr é o “Eid doce” (pense em tâmaras, doces e cafés da manhã festivos após um mês de jejum do amanhecer ao anoitecer), o Eid al-Adha é o “Eid salgado” — centrado na carne do sacrifício. Espetinhos de cordeiro grelhados na Turquia. Biryani e korma no Paquistão. Mansaf — cordeiro cozido em iogurte seco fermentado — na Jordânia. Biscoitos Ma’amoul recheados com tâmaras no Líbano. Os nomes mudam, mas o padrão é o mesmo: o preparo começa cedo, as porções são generosas e convidados inesperados são bem-vindos.

Ao mesmo tempo, mais de 1,7 milhão de peregrinos em Meca estão completando o Hajj. Eles circulam a Kaaba, caminham entre as colinas de Safa e Marwa, e sacrificam um animal próprio em Mina — espelhando os mesmos rituais que milhões de famílias realizam em casa.
Frases para o feriado
A saudação universal é “Eid Mubarak” (árabe: عيد مبارك) — literalmente “Eid abençoado”. A resposta padrão é “Khair Mubarak” (“bênção de bondade [para você também]”).
Mas cada idioma tem sua própria maneira de dizer:
| Idioma | Saudação | Pronúncia |
|---|---|---|
| Árabe | عيد مبارك (Eid Mubarak) | eed moo-BAH-ruck |
| Turco | İyi Bayramlar | ee-YEE bye-RAHM-lar |
| Malaio/Indonésio | Selamat Hari Raya Aidiladha | suh-LAH-maht ha-REE rah-YAH eye-dil-AHD-ha |
| Urdu | عید مبارک (Eid Mubarak) | eed moo-BAH-ruck |
| Persa | عید شما مبارک (Eid-e Shoma Mobarak) | eyd-e sho-MAH mo-bah-RAK |
| Hausa (África Ocidental) | Barka da Sallah | BAR-ka da SAL-lah |
| Francês | Bonne fête de l’Aïd | bon fet duh la-EED |
O nome “Eid al-Adha” merece ser explicado: Eid significa “festival” ou “celebração”, e Adha significa “sacrifício” — literalmente, “o Festival do Sacrifício”. Na Turquia, é chamado de Kurban Bayramı (Feriado do Sacrifício), na Nigéria de Eid-el-Kabir (o Grande Eid), e no Senegal de Tabaski — uma palavra em wolof cuja origem está ligada aos carneiros criados especialmente para a ocasião. Esse tipo de termo — carregado de significado cultural que não cabe em um único equivalente em inglês — é justamente o que torna palavras intraduzíveis tão fascinantes.
Para leitores curiosos sobre o árabe, o idioma por trás de “Eid Mubarak”, confira nosso guia da língua árabe. E se você está lidando com cumprimentos de feriados em diferentes idiomas, nosso guia de tradução de feriados traz dicas práticas para acertar na mensagem.
Fontes
- Indonésia anuncia oficialmente o Eid al-Adha 2026 — anúncio oficial do Ministério dos Assuntos Religiosos da Indonésia
- Lua avistada: Eid-ul-Adha será celebrado em 27 de maio — confirmação do Comitê Central Ruet-e-Hilal do Paquistão
- Dar al-Ifta anuncia que o Eid al-Adha será em 27 de maio — autoridade religiosa oficial do Egito
- Arábia Saudita declara 27 de maio como Eid al-Adha — anúncio da Suprema Corte Saudita
- Eid al-Adha: O que é a Festa do Sacrifício? — panorama da Agência de Notícias das Filipinas
- Wikipédia: Eid al-Adha — história, rituais e celebrações ao redor do mundo
- Ficha informativa: Eid-ul-Adha — Religion Media Centre, Reino Unido
- Saudações de Eid al-Adha em diferentes idiomas — Alif Arabic
- Como dizer Feliz Eid em diferentes idiomas — Embrace Relief